18.10.13

Chega

Chega a hora de tudo se cumprir. O prometido e o merecido. Das mãos terem ocupação certa que dê ao corpo os seus luxos e saberes. Da boca ter um travo doce, mesmo nestes dias amargos. Da força se provar em actos e dar descanso aos desesperos. Chega a hora das flores e sobremesas. 
Chega de paciência, de passividade. 
Chega a hora de receber, dar, dos beijos em liberdade. 
É o tempo do coração que é três ter as iniciais em relevo e dos 0.14159265359... em todo o seu infinito continuarem com o vaivém de nomes, olhos e dias, espaço astral.
O dia em que a hortelã-pimenta não está mais só no canteiro, mas desce ao baixo-ventre, fresco,
em que a pimenta raia dos olhos para os braços em tarefas bem pensadas e a canela continua a cobrir a pele, ensolarada. 
Chega, chegam todos os sonhos e sabores. Acabar com confusões, dar os termos revelados. Dias heliotrópicos em lugares que só se dizem inverno. Acções refulgentes em dias que se anunciam repouso. Altura de trocar as voltas. Das voltas serem novas, ascendentes... O dia de descer será outro. Agora, este dia que é um mês, este mês que é um ano, este ano que são muitos, é feliz. 
Porque assim tem que ser. Contra tudo o que dizem, contra os males que anunciam, é hora de viver, com tudo o que ser quer. O que ser quer não é muito, não é pouco, é tudo a que se tem direito. A barriga cheia, o peito iluminado, os braços preenchidos, os lábios em sempre beijo e os pés a encontrarem o lugar onde se promete o presente.
Acabaram-se as promessas e as esperanças. Tudo se está a cumprir. Sem vais, seria, sem adiar mais.
Sem ninguém que contradiga. A conquista de tudo o que tem que ser. 
Com a coragem de saber que os muros caiem, as distâncias matam-se, e o futuro é para se fazer.
Não há mais como proibir, empecilhar, tornar mais duro. Contra quem tiver que ser. 
Chega.
O dia.
Ser digno é ser completo.

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