24.10.11

Um poema que um dia escrevi (aquele de que eu gosto mais)

Maria, filha de Maria,
Não é princesa do mar,
Nem orla de espuma, nem onda fugaz...
É som, é ruído, é vento.

Nunca deixa de sonhar,
É moinho, cata-vento,
É sol e é vida, é ar,
É semente e rebento.

E se a encontrares perdida,
Não acordes seu sorriso,
A terra conta-lhe a vida,
Para os homens perdeu o siso.

Maria, filha de maria,
É tudo e é ninguém.
Nos seus olhos, Fantasia,
Presente de sua mãe.

*escrito a 22/02/2001

20.10.11

o outro assunto

... já está encerrado...
...já lá vão uns dias...
continuo a sentir que seria crueldade enviar a carta, fosse por aqui ou por outro lado.

um dia hei-de-lhe falar, mas aí já por ele.
desde o outro dia, não mais por mim.

Amanhã

Amanhã vou voar...
vou tentar...
vou...
voar...
E assumo de vez as asas porque luto, lanço-me neste voo infinito, ultrapasso a dor.
E se conseguir, apanho as pontas soltas, sou medo e deixo de ser.
E tu, vais aprender que não sou presa para me caçares? Que sou mais livre que qualquer jogo e que caminho para o enlaçar? E que se és terra e eu sou ar, ambos podemos ser fogo?
O que te falta por mim? Desejo ou medo de me alcançar? Ou falta-te apenas vontade e não o sabes declarar? Não se brinca assim, rapaz.
Tenho asas para ambos, tenho asas para um milhão... mas quero tudo a que tenho direito, o sonho, a dança, alguém que me ampare nos dias maus, o desejo e a vontade de me alcançar... por agora não vou correr mais rapaz, e se não te apressas deixas-me escapar... E se te preocupa o meu corpo, a minha partilha, os meus beijos, não te desenganes, eu não procuro padrões, nem corro por histórias antigas, quero novos livros, novos começos, novos traços e novos quadros de cabeceira. Não queres o mesmo que eu?
Não queres tanto? Deixa-me andar então... e não augures o que ainda não se cumpriu, não preciso de sofrer mais, nem preciso de perder, sei ser boa alquimista desde cedo e transformar a dor não em ouro, mas em mercúrio, amor. Mas não tenho medo e quando o tenho, tremo em braços mas ando para ele.
O que precisas mais? De promessas, papeis passados, que me guarde para ti... tolices, anda ter comigo e vive no meu tempo um dia, deixa-te tentar, procura-me no dia das minhas, das dadas, das donas do volátil, detentoras do desejo, amantes do riso e do amor.
E entende, se me deres tudo... eu dou-te a dobrar.


*e se não voar, sei que tentei...

2.10.11

um segredo para ti

*Coração de titã, Beatriz Cunha



Ainda não sei o sabor dos teus beijos e pouco conheço do teu toque. Conheço o que chamo teu, os pelos onde roubo beijos, quando abixano a tua cara para perto de mim e dou um cheiro.
Delineio em imagem o teu polegar que entrelaço em toda a minha mão e a a tua cor lembra-me a minha: foi a mesma terra que nos fez e parece-me que nos fez aos dois índios.
Não conheço a tua medida, que susto,a medida do que dizes... fico com medo de te levar demasiado a sério, ou a brincar e te perder. Mas, porra, rapaz, cheiras a fumeiro... isso não se faz! Como te poderei tirar de mim se me inundas de meiguice e de gula sem me tocar. E só me abraças quando a noite chega... ao sol roubo-te eu pele para beijos, e fixo as tuas cicatrizes e defeitos quase com devoção.
Encantas-me e passeias-me e a cada passo teu pões-me em perigo. Que faço com esta vontade, com a criança ciúme que tiras dentro de mim, com as projecções, sonhos e esperanças que, ainda não sei, alimentas com brincadeiras. O teu sorriso desperta o meu, juntos a sorrir devemos iluminar um pavilhão e sonho-me nos sonhos que me insinuas, em cada sentimentalidade que dizes. Dizes que tens coração de pedra, cinzento... eu só sei que é grande e que em cada procura te sinto quente, amplo a fechar-me nos teus braços e a abrir-me as vistas.
E se nesses miradouros que me levas contemplamos o abismo infinito de mergulharmos um no outro, a brava de coração sou eu, titã que te puxa, enquanto tu dás cada passo com a suavidade que se impõe, com cuidado com esse coração, como se de vidro e não mármore fosse, num novo tempo que a cada dia me ensinas, enquanto te testo e espero que tu me busques em cada estação.

Procuro as cores que te digam tudo isto baixinho, amor num sussurro e o compromisso que te conquisto, cada dia um pouco mais.