6.9.16

Talvez não te tenha dito que escrevo cartas de amor.
No meio de tanta pequena partilha nem sei se deslindei mais essa. Nem sei se lembro bem tudo o que conteve o tempo breve que passei contigo. Leve, lindo e solto.
Mas hoje olho para a minha cama e tenho mais que raposas, ficou um rasto de pássaro e o desenho do teu corpo aqui marcado, junto com a tua mão no meu joelho.
Deixei-me apaixonar, apenas isso e é tão tranquilo, mesmo com dúvidas de menina habituada tão só a uma masculinidade europeia silenciada, sem tentar encontrar sentido mas deliciada com tanto mel que da e para a tua boca linda escorreu. Com a tua cicatriz ainda gravada nos meus dedos, admirada nas tuas histórias e cúmplice em sentidos que em outros percursos também tomei.
Sei que és um príncipe, e não baby, nunca serei princesa... Nos dias bons sou rainha. Mas é a tua cabeça que tem coroa e o teu corpo vai tendo e sendo manto, por horas apenas. Suspeito que sejas também andorinha.

Voa, então, Príncipe Andorinha, cruza todos esses mares e, se quiseres e quando quiseres, volta para mais conversa, afecto e as flores que nascerem.


Mas vai e volta claro e transparente para todo lado. Sem esquecer de usar todas as palavras. Para honrares o coração que tens, e os pedacinhos que vais recolhendo.
Com amor e coragem.



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