26.7.12

simples (nada mais que o pedido)

Tenho sempre nos dias seguintes o trabalho de me despelar de ti, de te tirar assim, dos poros, da pele onde num instante te entranhas. Tenho por ti, porque assim o precisas. Para mim nada seria mais simples. Sei que nenhum de nós já se tem só à superfície e agrada-me esta harmonia, simples, de que em cada encontro tudo seja tão fluído, fácil. De que os lábios tremam e nos contorçamos de prazer, de que a conversa corra tão bem quanto, entre, durante, a cama. E de que cada vez haja um pouco mais do que não consigo nomear, mas temos. Não lhe chamo magia, nem paixão, nem amor, nem nos considero encanto, é mais um regato de duas fontes, que há de correr até uma arranjar novo desvio.  E entre bons amigos e amantes perfeitos, despreocupo-me, cedo, vivo, sorvo-te e sou sorvida, até ao dia que deixar de ser... porque não será mais simples. Engraçado como tanto fogo, dos dois pavios torcidos, continua, é, a cada noite não dormida, mais água, mais poça, mais charco, onde vivem rãs, pensamentos e peixes. Um estagnado vivo. Parece-te, para mim é, simples.

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